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Em busca da felicidade por Almir Souza

Em busca da felicidade por Almir Souza – Durante um período da juventude, Fernando acreditou que a felicidade morava longe. Longe demais para caber na rotina, perto demais para ser ignorada. Por isso, saiu de casa achando que precisava ir além dos limites do lugar onde vivia para encontrá-la, sem perceber que, ao fechar a porta todos os dias, deixava para trás exatamente aquilo que procurava.

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Fernando era um rapaz que queria, acima de tudo, encontrar a felicidade.Um dia, decidiu sair de casa em longas caminhadas pela própria cidade, acreditando que precisava ir além dos limites do seu interior para encontrá-la. Conheceu lugares, cruzou caminhos e ouviu muitas histórias. A cada pessoa que encontrava, fazia sempre a mesma pergunta:

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— Qual é o segredo da felicidade?

Cada um lhe dava uma resposta diferente.

Procurou sábios, mestres, padres e rabinos.
Ouviu discursos profundos, conselhos antigos, promessas de paz.
Mas nenhuma resposta o satisfazia.

O tempo passou. Fernando caminhou ruas, bairros, estradas de terra e silêncios da própria cidade. Conversou com gente simples, ouviu histórias repetidas e dores parecidas. Quando percebeu, estava velho, de cabelos brancos e o corpo cansado de tanto procurar.

Um dia, decidiu sair de casa em longas caminhadas pela própria cidade, acreditando que precisava ir além dos limites do seu interior para encontrá-la.

Estava cansado, sentindo-se abandonado, pensativo.
Não desabafava com a família, nem com os poucos amigos da vizinhança ou da escola.
Sua vida seguia num silêncio repetido: do trabalho para casa, da casa para a faculdade.

Certo sábado ensolarado, sentou-se no banco de um jardim.
Ali conheceu um velho marcado pelo tempo, judiado pela cidade e pelo trabalho, já aposentado, descansando à sombra de uma árvore antiga.

Entre uma conversa e outra, o idoso lhe disse uma frase simples, mas profunda:

— A felicidade está mais perto do que as pessoas imaginam.

Fernando foi para casa pensativo.

Como era sábado, resolveu cuidar do jardim. Podou as plantas, replantou algumas flores e, ao terminar, ficou ali parado, observando uma flor que acabara de desabrochar.
Achou aquilo incrível. Sorriu.

O jardim estava bonito, limpo, vivo.
Sentado, descansando, percebeu que a casa também precisava de cuidados.

Foi então que decidiu fazer algo diferente:
resolveu construir ali a sua felicidade.

Limpou a casa inteira, trocou janelas quebradas, reformou o que era preciso, pintou as paredes, trocou o velho portão.

Enquanto trabalhava distraído, foi observado por Débora, uma colega de escola que morava ali perto, a poucos metros de sua casa.
Ela se aproximou e disse, sorrindo:

Poxa, Fernando… sua casa ficou linda. Parabéns. Ali nasceu algo novo.

Primeiro, uma amizade.
Depois, com o tempo, um amor.
Logo estavam namorando.

Só então Fernando se deu conta:

Aquela sempre foi a sua casa.
E ele a havia abandonado por muito tempo.

Entendeu, enfim, que não adiantou percorrer o mundo inteiro.
A felicidade não estava distante, nem escondida em outros lugares.

Ela estava exatamente onde ele decidiu cuidar.
Onde escolheu ficar.
Onde resolveu construir.

E, naquele instante, lembrou-se da frase do velho:

A felicidade está bem mais perto da gente do que se pode imaginar.

“Crônicas da Vida Real” por Almir Souza

Almir Souza

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