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Crime Organizado no Brasil e na Amazônia: Entre Leis, Facções e a Falta de Integração

Crime Organizado no Brasil e na Amazônia: Entre Leis, Facções e a Falta de Integração – Depois de analisar inúmeras narrativas sobre o avanço do crime organizado no país, a Fama Amazônica recorreu à Inteligência Artificial para simplificar e compreender o labirinto de leis, projetos e estratégias que tentam — nem sempre com sucesso — conter o poder das facções.

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A realidade é dura: enquanto o Estado busca respostas, o crime se reinventa, enraizando-se em comunidades, sistemas financeiros e até nas estruturas políticas. 1. Cerco Financeiro: a Nova Estratégia. O objetivo central das propostas recentes é asfixiar financeiramente as organizações criminosas, substituindo a lógica do encarceramento em massa por uma estratégia de inteligência e estrangulamento patrimonial.

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No entanto, a eficácia depende da integração entre polícias, Receita Federal, COAF e Ministério Público, além do fortalecimento das áreas de investigação e análise financeira.

O delegado aposentado da PF Cláudio Guerra, com experiência no Norte e Nordeste, alerta:

“Sem integração real entre os órgãos e investimento em inteligência financeira, a lei será só mais um texto bonito. É preciso atacar a logística e o caixa das facções — onde realmente dói.”

2. Equiparação ao Terrorismo

Os projetos de lei PL 1.283/2025 e PL 2.428/2025 propõem equiparar o crime organizado ao terrorismo, sob o argumento de que facções dominam territórios, impõem toque de recolher e intimidam populações inteiras.

Mas a proposta divide opiniões.
Juristas alertam para o risco de banalizar o conceito de terrorismo e abrir brechas para usos políticos da lei.
Agentes de segurança, por outro lado, afirmam que o foco deveria estar na inteligência de campo e integração entre forças estaduais e federais.

O coronel da reserva Eduardo Araújo, ex-coordenador de segurança no Rio de Janeiro, resume:

“As facções no Brasil já agem como grupos terroristas. O problema não é o nome da lei, é a ausência do Estado. Sem territorialidade, qualquer legislação vira abstração.”

3. Fim da Separação de Presos por Facção

O PL 1.491/2025, em tramitação na Câmara, pretende acabar com a separação de presos por facção — uma tentativa de quebrar o poder desses grupos dentro dos presídios.
Mas especialistas advertem: a medida pode gerar rebeliões, fugas e massacres, especialmente em penitenciárias do Norte.

Para o ex-diretor do DEPEN Mário Sadi:

“Dissolver facções por convivência forçada é perigoso. O que enfraquece o crime é o controle de comunicação, o isolamento de lideranças e a inteligência prisional ativa.”

4. O Diagnóstico dos Especialistas

A análise de dez especialistas em segurança, direito penal e inteligência criminal revela um consenso:
o aumento de penas não basta. O poder das facções nasce dentro do sistema prisional e se sustenta pelo fluxo financeiro.

O ex-secretário nacional de Segurança Pública Rogério Greco explica:

“A prisão virou uma universidade do crime. O que mantém o poder das facções é o dinheiro, não apenas a violência.”

5. Os Quatro Pilares da Luta

1. Encarceramento inteligente: prender sem gestão de inteligência apenas fortalece o crime.
2. Cerco econômico: rastrear criptomoedas, contas de laranjas e uso de fintechs é essencial.
3. Critérios claros de combate: evitar o uso político das leis e definir parâmetros técnicos.
4. Controle prisional: tecnologia, bloqueio de sinais e isolamento de lideranças são o caminho.

O agente penitenciário federal André Ferreira reforça:

“Não é o número de leis que enfraquece o crime, mas a capacidade de aplicá-las onde o Estado ainda não existe.”

6. A Amazônia e o Norte como Laboratório do Caos

Na Amazônia, onde a presença estatal é fragmentada e o tráfico avança pelos rios, o crime organizado encontrou zonas de sombra ideais para operar.
O Amazonas vive um cenário crítico, com integração frágil entre forças locais e federais, e rotas que conectam tráfico de drogas, garimpo ilegal e corrupção política.

A ausência de inteligência unificada e de recursos permanentes transforma o combate em uma guerra de retórica, enquanto as facções ampliam seu domínio silencioso nas comunidades.

Conclusão: Estado Inteligente ou Estado Ausente?

O combate ao crime organizado não será vencido com slogans ou leis simbólicas.
Exige inteligência, integração e continuidade de políticas públicas, acima de governos e mandatos.

O verdadeiro desafio está em transformar o discurso em ação,
a repressão em estratégia,
e a política criminal em política de Estado.

Porque, no Brasil e na Amazônia, o crime organizado não dorme — e o Estado ainda insiste em acordar tarde.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

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Almir Souza

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