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O Brasil Está Chato?

O Brasil Está Chato? O Brasil entrou num silêncio incômodo. Não é paz, tampouco crise aberta. É cansaço. Um país que perdeu o espanto, anestesiado por discursos previsíveis, símbolos vazios e uma rotina política que já não mobiliza nem revolta — apenas desgasta.

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Tudo parece morno: a política, a arte, o futebol, o humor, o debate público. A esperança virou protocolo. A crítica, torcida. A indignação, algoritmo. Nesse esgotamento simbólico, o país é governado por um presidente de discurso tosco e uma primeira-dama medíocre, incapaz de compreender que representar o Brasil também passa por postura, imagem e inteligência cultural.

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O poder, quando não inspira, apenas administra o tédio.

Não surpreende que tantos brasileiros queiram ir embora. A instabilidade econômica, o endividamento das famílias, a insegurança e a sensação de estagnação empurram pessoas para fora — do território e do projeto de país.

Há avanços, sim. Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, reforma tributária, políticas de igualdade salarial e compromissos ambientais existem e precisam ser reconhecidos.

Mas avanços técnicos não compensam a pobreza simbólica quando falta liderança capaz de mobilizar, comunicar e representar.

Os problemas seguem profundos: corrupção, criminalidade, saúde precária, educação frágil, desigualdade estrutural, crise de saúde mental e degradação ambiental. Nada disso é novo. O que assusta é a normalização.

Dezembro chega e o brasileiro faz o que sempre fez: olha para trás. Não para prestar contas, mas para tentar entender se valeu a pena.

O fim do ano não encerra apenas calendários — encerra ilusões.

Talvez o Brasil tenha se tornado previsível demais. Normal demais. Quase entediante.
E talvez esse tédio seja o aviso mais perigoso de todos.

Porque quando um país cansa, ele não explode. Ele desiste.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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