Venezuela: 26 anos de espera não cabem no silêncio
Venezuela: 26 anos de espera não cabem no silêncio – Durante 26 anos, o povo venezuelano viveu sob um regime que prometeu estabilidade, mas entregou medo, escassez e repressão. Uma geração inteira cresceu ouvindo discursos sobre soberania enquanto via direitos básicos desaparecerem do cotidiano.
Nicolás Maduro afirmou, publicamente, que respeitaria o resultado das eleições. Disse isso diante das câmeras, após votar, numa tentativa de reafirmar normalidade institucional. Não respeitou. Antes disso, chegou a ameaçar o próprio país com violência e guerra civil caso fosse derrotado. Não foi um deslize retórico — foi um aviso.
Quando um governante ameaça o povo antes da eleição e ignora o resultado depois, o problema deixa de ser “interferência externa” e passa a ser ruptura democrática. Ainda assim, parte do debate internacional escolheu o caminho mais confortável: o silêncio travestido de neutralidade.
Defender que “não se deve entrar no mérito” da Venezuela é ignorar deliberadamente o mérito central: o povo venezuelano. São eles que enfrentaram a fome, o êxodo forçado, o colapso dos serviços públicos e a perseguição política. São eles que esperavam, há décadas, que o voto fosse respeitado.
Soberania não pode ser usada como escudo para autoritarismo. Nenhuma democracia se sustenta quando a palavra empenhada pelo poder vira ameaça e o processo eleitoral perde credibilidade. O jornalismo que se recusa a registrar isso não é prudente — é omisso.
A história latino-americana já mostrou, repetidas vezes, que regimes autoritários não começam com tanques nas ruas, mas com a normalização do absurdo. Começam quando promessas quebradas são relativizadas, quando ameaças são minimizadas e quando o sofrimento popular é tratado como assunto interno inconveniente.
O que ocorre hoje na Venezuela não é um detalhe geopolítico distante.
É um alerta regional. Democracias adoecem quando instituições se enfraquecem, quando o poder se perpetua e quando o contraditório é tratado como inimigo.
A Fama Amazônica se posiciona ao lado do povo venezuelano — não por ideologia, mas por coerência histórica. Defender o direito ao voto, à alternância de poder e à dignidade não é militância. É princípio democrático básico.
Silenciar diante de 26 anos de espera não é neutralidade.
É abandono histórico.
Não é militância. É posição editorial.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





