Um país à deriva: a Amazônia paga o preço do desgoverno
Um país à deriva: a Amazônia paga o preço do desgoverno. O Brasil está sendo visto. Pelo mundo. E, cada vez mais, por quem já não aceita fingir que não vê. Há tempos a Revista Fama Amazônica vem alertando o Brasil e a comunidade internacional sobre um problema grave, contínuo e profundo: o abandono da Amazônia e de seu povo.
Não é discurso oportunista. É compromisso com a verdade, com a floresta e com quem vive nela. Expedições recentes pela Transamazônica escancararam uma realidade que sempre existiu, mas foi convenientemente ignorada. Lideradas por Richard Rasmussen, essas jornadas revelaram quilômetros de lama, isolamento e dificuldades extremas. Para alguns, choque.
Para milhares de brasileiros, rotina.
A Amazônia está abandonada em todos os aspectos.
Estradas inexistentes.
Comunidades isoladas.
Políticas públicas ausentes.
Nossos rios — veias vivas da floresta — seguem ameaçados, poluídos e explorados sem critério. São eles que alimentam comunidades, transportam vidas e sustentam culturas inteiras. Ainda assim, continuam sendo tratados como entraves ao progresso, quando são a própria base da sobrevivência amazônica.
As riquezas naturais sempre despertaram cobiça. Madeira, minérios, terras. Mas a maior riqueza do Brasil continua sendo negligenciada: as pessoas. Em especial, os povos indígenas — patrimônio vivo da nação — que reivindicam direitos básicos enquanto o país assiste, omisso, sem tomar partido. O silêncio virou regra. A omissão virou política. E as consequências chegaram exatamente onde chegaram.
O governo federal perdeu o rumo. Falta visão, falta sensibilidade, falta compreensão do Brasil real. O país hoje se parece com um barco à deriva, sem leme, entregue a decisões distantes da realidade e a ministros despreparados, alheios à complexidade amazônica. Governar exige escuta, conhecimento e ação. A ausência disso também é uma escolha — e o preço está sendo pago pela Amazônia.
Mais grave ainda é perceber que, mesmo diante de fatos tão claros, ainda existe apoio sustentado pela desinformação. A ignorância, quando cultivada, transforma-se em ferramenta de destruição: enfraquece o debate, distorce a realidade e normaliza o inaceitável.
A Fama Amazônica não se cala.
Não se omite.
Não relativiza o abandono.
Ao lado da Inteligência Artificial (IA), amplia sua capacidade de acompanhar, analisar e atualizar esses acontecimentos, conectando dados, relatos e denúncias para que a verdade alcance o Brasil e o mundo. A tecnologia não substitui a dor humana, mas fortalece a informação e rompe o silêncio.
Defender os rios não é radicalismo.
Defender os povos indígenas não é ideologia.
Defender a Amazônia não é ser contra o Brasil.
É ser a favor da vida, da dignidade e do futuro.
Um país que abandona sua floresta, seus rios e seus povos originários está, na verdade, abandonando a si mesmo. E enquanto continuarmos apenas assistindo, o barco seguirá à deriva — até o dia em que não haverá mais margem para encostar.
Crônica-editorial
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





