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Sapucaí do Desprezo: O Povo Virou Plateia da Própria Miséria

Sapucaí do Desprezo: O Povo Virou Plateia da Própria Miséria. O que vimos no Sambódromo da Marquês de Sapucaí não foi cultura. Foi deboche social transmitido em rede nacional.

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Enquanto a avenida explodia em cores, milhões de brasileiros continuavam presos à fome, ao desemprego e às filas intermináveis da saúde pública. A festa era alta. A realidade, muda.

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Chamaram de arte. Mas arte não humilha.

Chamaram de manifestação cultural. Mas cultura não pisa no trabalhador.

Chamaram de alegria. Mas alegria não nasce do desprezo.

A televisão vendeu espetáculo. O povo recebeu afronta.

Carros alegóricos passaram.
Discursos travestidos de samba desfilaram.
Narrativas prontas tentaram transformar crise em entretenimento.

E o brasileiro comum? Assistiu de casa. Pagou a conta. Engoliu seco.

Não foi apenas carnaval. Foi propaganda.

Não foi só festa. Foi provocação organizada.

Enquanto poucos brindavam nas frisas, muitos encaravam ônibus lotados, salário curto e comida cara. O brilho da avenida não iluminou a periferia. O som da bateria não abafou o grito de quem sofre.

Confete caiu. A música parou. O lixo ficou.

E com ele, ficou a verdade nua: O brasileiro não precisa de pluma. Precisa de emprego.

Não precisa de carro alegórico. Precisa de saúde.

Não precisa de discurso maquiado. Precisa de justiça.

Quando o espetáculo termina, sobra apenas o país real — cansado, dividido e ignorado.

O carnaval passou. A miséria ficou.

E mais uma vez, o povo virou plateia da própria dor.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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