Manaus

Os igarapés esquecidos de Manaus

Os igarapés esquecidos de Manaus – Cortando a cidade em silêncio, escondidos entre casas, pontes improvisadas e lixo acumulado, os igarapés de Manaus contam uma história que muitos preferem não ver.

Amazon ECO SIGHT

Eles já foram fontes de vida. Água limpa, peixes, banho de criança, conexão direta com a natureza da Floresta Amazônica. Hoje, em muitos pontos da cidade, esses mesmos igarapés se transformaram em canais de esgoto a céu aberto, sufocados pela ocupação desordenada e pelo abandono urbano.

TELECOMAM Rádiocomunicação

O problema não surgiu de repente.

Com o crescimento acelerado da capital, especialmente a partir da expansão impulsionada pela Zona Franca de Manaus, milhares de famílias passaram a ocupar áreas próximas aos igarapés. Sem infraestrutura adequada, sem saneamento básico e sem planejamento urbano, a consequência foi inevitável: a degradação.

O que antes era natureza virou sobrevivência.

Casas de madeira avançam sobre a água. Pontes improvisadas substituem ruas. E o que corre sob essas estruturas já não é apenas água — é um retrato das desigualdades que ainda marcam a cidade.

Mas não é só um problema ambiental.

É social. É humano.

Crianças crescem brincando ao lado de águas contaminadas. Famílias convivem com o mau cheiro, doenças e riscos constantes de alagamentos. Em períodos de chuva, os igarapés transbordam — não apenas água, mas também tudo o que foi jogado neles ao longo do tempo.

Ainda assim, há esperança.

Projetos de revitalização já mostraram que é possível mudar essa realidade. Com investimento, planejamento e vontade política, os igarapés podem voltar a ser espaços de convivência, lazer e equilíbrio ambiental.

A  pergunta que fica é direta: até quando Manaus vai virar as costas para seus próprios rios?

Porque ignorar os igarapés é ignorar parte da própria identidade amazônica.

E uma cidade que esquece suas águas… corre o risco de perder sua essência.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

Aqui Amazônia Acontece

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo