Amazônia

O saber tradicional ainda salva vidas

O saber tradicional ainda salva vidas – Na Amazônia, antes do posto de saúde, existe o conhecimento. Antes da ambulância, existe a mão que acolhe. Antes do remédio industrializado, existe a folha, a raiz, o chá, a palavra certa dita na hora certa.

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O saber tradicional não é passado — é presente ativo na vida de milhares de amazônidas. Parteiras seguem trazendo vidas ao mundo onde o Estado não chega. Benzedeiras aliviam dores que não aparecem em exames.

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Conhecedores de ervas indicam tratamentos aprendidos com os mais velhos, testados pelo tempo e pela necessidade. Não por crença vazia, mas por experiência acumulada.

Esse conhecimento nasce da convivência.
Da observação da floresta, do respeito aos ciclos, da escuta do corpo e da natureza. É ciência popular, transmitida de geração em geração, muitas vezes sem registro escrito, mas com eficácia comprovada no cotidiano.

No interior e nas periferias amazônicas, o saber tradicional não é alternativa — é primeira opção.
Porque o hospital é longe.
Porque o médico não chega.
Porque o barco demora.
Porque a vida não espera.

Mesmo assim, esse conhecimento segue invisível para grande parte das políticas públicas.
É tolerado, mas raramente reconhecido. Usado, mas pouco valorizado. Quando muito, aparece em discursos; quando menos, é tratado como superstição.

Ignorar o saber tradicional é ignorar a realidade amazônica.
É fingir que todos têm acesso igual à saúde formal, quando sabemos que não têm. É desconsiderar que, em muitos lugares, esse saber é o que separa a vida da morte.

Valorizar não significa substituir a medicina moderna.
Significa integrar, respeitar, ouvir, registrar, proteger.

Significa entender que a Amazônia não pode ser cuidada apenas com soluções importadas de fora, sem diálogo com quem vive nela.

O saber tradicional ainda salva vidas porque ele nunca deixou de existir.
Ele resiste no silêncio, no cuidado, na prática diária. Resiste apesar do descaso, apesar do apagamento.

E enquanto políticas públicas não alcançam todos os cantos da Amazônia, são essas mãos anônimas, esses conhecimentos antigos e essas vozes pouco ouvidas que seguem fazendo o que sempre fizeram: cuidar do povo amazônida.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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