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O Interior do Amazonas Não Precisa de Diplomas. Precisa de Direção

O Interior do Amazonas Não Precisa de Diplomas. Precisa de Direção. O dilema do interior do Amazonas não é falta de formação. É falta de destino econômico para quem se forma. O estado do Amazonas possui 62 municípios. No entanto, a maior concentração de empregos formais está em Manaus, impulsionada pelo Polo Industrial da Zona Franca.

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Segundo dados do CAGED e IBGE, mais de 70% dos empregos formais do estado estão concentrados na capital. Isso significa que o interior divide menos de 30% das vagas formais — espalhadas por dezenas de municípios.

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Em cidades como Tefé, Parintins, Coari e Itacoatiara, o mercado é limitado, fortemente dependente do setor público, comércio local e atividades primárias.

Então surge a pergunta inevitável: Por que continuamos formando empregados para um mercado que não existe?

O modelo que exporta cérebros

Um jovem do interior que se forma em Engenharia, Biologia ou Administração enfrenta uma realidade objetiva:

Ou migra para Manaus.
Ou migra para outro estado.
Ou enfrenta desemprego ou subemprego.

Não se trata de falta de talento.
Trata-se de estrutura econômica concentrada.

O Amazonas tem um dos maiores territórios do país, mas sua economia formal é altamente centralizada na capital. O interior ainda vive majoritariamente de:

Funcionalismo público

Comércio local

Agricultura de subsistência

Extrativismo primário

Há pouca industrialização.
Há pouca agregação de valor.
Há baixa verticalização produtiva.

Formamos profissionais qualificados para serem absorvidos por outras economias.

Isso não é desenvolvimento regional.
É evasão intelectual institucionalizada.

A riqueza que não vira renda

O interior do Amazonas abriga uma das maiores biodiversidades do planeta. O estado concentra enorme potencial em:

Plantas medicinais – Óleos essenciais – Fibras naturais –  Piscicultura –  Produtos florestais não madeireiros

No entanto, grande parte desses recursos é vendida in natura ou subaproveitada.

A lógica atual ensina o jovem a procurar emprego.
Mas não ensina a estruturar cadeia produtiva.

E se o modelo fosse outro?

E se o engenheiro aprendesse a desenvolver tecnologia para beneficiamento local?
E se o biólogo aprendesse modelagem de negócio para bioeconomia?
E se o administrador fosse treinado para estruturar cooperativas produtivas regionais?

O Amazonas fala muito em bioeconomia.
Mas ainda forma profissionais para a economia industrial tradicional concentrada na capital.

Estamos ensinando o jovem a sair.

Pouco estamos ensinando a ficar e transformar.

O verdadeiro desafio

O interior não precisa apenas de universidades.
Precisa de formação orientada ao território.

Precisa de: Educação empreendedora aplicada à realidade amazônica – Incubadoras regionais – Crédito produtivo acessível –  Políticas públicas descentralizadas

Sem isso, continuaremos formando diplomas para exportação.

A decisão é estratégica

O debate não é contra o ensino superior.
É sobre qual ensino superior queremos.

Queremos formar empregados para outras regiões?
Ou criadores de oportunidades aqui mesmo?

O interior do Amazonas não é pobre em potencial.
É pobre em estratégia.

E estratégia se constrói com visão de longo prazo. A mudança começa na sala de aula. Mas depende de coragem política.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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