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No Amazonas também tem Carnaval — entre o fusca, o violão e a conta que chega depois

No Amazonas também tem Carnaval — entre o fusca, o violão e a conta que chega depois – No Amazonas também tem Carnaval. Tem bloco, tem samba, tem povo na rua. Tem sambódromo, arquibancada, fantasia e bateria afinada. Aqui ninguém está fora do Brasil.

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E como diz aquela música que atravessa gerações: “Fevereiro tem Carnaval, tenho um fusca e um violão.” O fusca e o violão nunca foram só objetos. Eles sempre simbolizaram o Brasil simples, popular, que segue em frente mesmo quando falta quase tudo. O carro velho que ainda anda. A música que ainda toca.

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Quando fevereiro chega, o Brasil entra nesse ritmo.
O país desacelera, deixa o trabalho para depois, empurra os problemas para frente. Durante alguns dias, a realidade parece estacionar — como um fusca encostado na sombra — enquanto o violão assume o comando da rua.

Mas a realidade não espera.

Na Quarta-feira de Cinzas, o Brasil acorda. E acorda colhendo o que ficou para trás: contas acumuladas, serviços parados, preços mais altos, hospitais cheios, cidades alagadas, e o cansaço que a festa não resolve.

No Amazonas, essa conta pesa mais.

Aqui, o fusca anda por ruas esburacadas e alagadas.
Aqui, o violão muitas vezes toca para aliviar a tensão de quem sabe que o mês será difícil.
Aqui, a economia informal segura famílias inteiras, enquanto o sistema público sente primeiro qualquer crise.

E mesmo depois de tudo o que vivemos, ainda existe um medo que nunca foi embora completamente:
o das doenças que se espalham rápido, das aglomerações sem cuidado, das lições que o país insiste em esquecer.

O Carnaval é cultura. É resistência. É expressão popular. Mas ele não apaga o fato de que: o salário é curto, a comida está cara, a energia pesa, e a cidade continua quente, cheia e esquecida. No fim, sobra o que sempre sobrou: o povo.

O fusca segue rodando. O violão segue tocando.

E o amazônida segue vivendo, entre a festa e a realidade, sabendo que a música ajuda — mas não paga a conta.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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