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Juventude amazônica: futuro promissor ou êxodo forçado?

Juventude amazônica: futuro promissor ou êxodo forçado? Eles crescem cercados por rios gigantes, florestas que o mundo inteiro admira e uma cultura rica que pulsa no cotidiano. Mas, quando chegam à juventude, muitos jovens amazônidas se fazem a mesma pergunta silenciosa: ficar ou partir?

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Na Amazônia, o futuro raramente é uma linha reta. Para boa parte da juventude, ele parece mais um desvio obrigatório. Há talento, criatividade e força de trabalho. Jovens que dominam a tecnologia, a arte, o esporte, a comunicação e o empreendedorismo. Mas faltam oportunidades que permitam transformar potencial em permanência.

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O resultado é um movimento constante — e doloroso — de saída. Entre o sonho e a necessidade O êxodo não nasce do desejo de abandonar a terra natal. Nasce da falta de escolha.

Faltam vagas de emprego qualificado. Faltam políticas públicas voltadas para a juventude. Faltam investimentos contínuos em educação, ciência, cultura e inovação local. Em muitas cidades do Amazonas, o jovem precisa escolher entre aceitar a informalidade, sobreviver com subempregos ou ir embora.

Ir para onde? Para o Sul, Sudeste ou Centro-Oeste. Em busca do que deveria existir aqui: oportunidade.

Quem fica, resiste

Mas há quem fique. E ficar, na Amazônia, virou um ato de resistência.

São jovens que insistem em criar projetos culturais, coletivos ambientais, negócios locais e iniciativas sociais. Eles reinventam a cidade, ocupam espaços esquecidos e constroem alternativas onde o poder público não chega. São protagonistas invisíveis de um desenvolvimento que raramente vira manchete.

Ainda assim, resistir cansa. E não deveria ser um fardo individual.

A pergunta que o país evita responder

O Brasil gosta de exaltar a Amazônia como símbolo. Mas ignora, na prática, quem nasce e cresce nela.

Que futuro o país oferece à juventude amazônica?
Formar para sair? Ou investir para permanecer?

Enquanto essa resposta não vem, o êxodo segue — silencioso, constante e humano. Cada jovem que parte leva consigo mais do que sonhos: leva identidade, memória e a chance de construir um futuro aqui.

A Amazônia não precisa apenas ser preservada.
Ela precisa ser habitada com dignidade.

E isso começa garantindo que sua juventude tenha motivos para ficar.

Fama Amazônica
Jornalismo humano, identitário e comprometido com quem vive a Amazônia todos os dias.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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