Gastronomia

Feiras e alimentos amazônicos: tradição ameaçada pelo custo alto

Feiras e alimentos amazônicos: tradição ameaçada pelo custo alto – Ir à feira no Amazonas sempre foi mais do que comprar comida. É encontro, conversa, cheiro de erva fresca, fruta recém-colhida, peixe ainda vivo na memória do rio. A feira sempre foi o lugar onde a Amazônia se reconhece.

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Mas algo está errado. Hoje, o amazônida entra na feira com o mesmo sentimento de quem entra no supermercado: medo do preço. O que antes era abundância acessível virou escolha difícil. O que antes era tradição virou conta.

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O tucumã subiu. O jaraqui pesa no bolso. A farinha, base da mesa, virou artigo quase de luxo em alguns períodos do ano. Ervas medicinais, colhidas na própria floresta, chegam às bancas com preços que afastam quem sempre dependeu delas.

O paradoxo é cruel:na terra onde tudo nasce, comer virou desafio.

Do interior à banca: o custo invisível

Grande parte dos alimentos que chegam às feiras vem do interior. Pequenos produtores, ribeirinhos e agricultores familiares enfrentam:

transporte caro e precário – combustível elevado – falta de incentivo público – atravessadores que encarecem o produto final.

O resultado é simples e doloroso: o produtor ganha pouco, o consumidor paga muito.

Quem sente primeiro é quem sempre viveu da feira

São as mães, os idosos, os trabalhadores informais que sentem primeiro.
A feira sempre foi o espaço do povo. Hoje, muitos passam pelas bancas olhando, perguntando o preço… e seguindo em frente.

A tradição resiste, mas enfraquece. Cultura alimentar ameaçada

Quando o alimento tradicional fica caro, o ultraprocessado entra.
Quando a feira se torna inacessível, a identidade alimentar se perde.

Não é só sobre comida. É sobre saúde, cultura e pertencimento. Falta política pública, sobra discurso

Fala-se muito em preservar a floresta, mas pouco em garantir que quem vive nela possa se alimentar dignamente. Valorizar a produção amazônica não é só discurso ambiental — é política de sobrevivência urbana e rural.

Enquanto isso, a feira segue resistindo, sustentada pelo esforço de quem insiste em plantar, colher e vender, mesmo com tudo contra.

Preservar também é garantir acesso – Preservar a Amazônia também é: garantir preço justo fortalecer a agricultura familiar. reduzir intermediários. valorizar o alimento local

Se a feira acabar, não será só um espaço que se perde. Será uma parte viva da Amazônia que se cala.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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