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Fama Amazônica: A conta já chegou e tem selo de validade

Fama Amazônica: A conta já chegou e tem selo de validade – Os números que hoje circulam nas manchetes, repetidos quase como rotina, não pertencem mais ao campo da retórica ou do alarmismo. Eles são, pura e simplesmente, a contabilidade da tragédia climática que já se instalou no Brasil.

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Dados da OCDE, com base em estudos do Banco Mundial, apontam que as mudanças climáticas já custam ao país cerca de 1,3% do PIB por ano, com perdas concentradas especialmente na infraestrutura de transporte e energia. Não se trata de “ecologia” ou debate ideológico: trata-se de produtividade perdida, de crescimento que deixa de existir.

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Entre 2013 e 2024, municípios brasileiros acumularam mais de R$ 732 bilhões em prejuízos associados a secas, incêndios, inundações e deslizamentos. É o Brasil condenado a reconstruir, repetidas vezes, aquilo que poderia ter sido protegido com planejamento e prevenção.

No Rio Grande do Sul, um levantamento conjunto do BID, CEPAL e Grupo Banco Mundial estima R$ 88,9 bilhões em danos e perdas provocados pelas cheias de 2024. Quando um estado para, o país inteiro sente: no abastecimento, nos preços, na arrecadação, na confiança e na estabilidade econômica.

Em São Paulo, eventos climáticos extremos que derrubam redes elétricas viram rombos imediatos. A FecomercioSP estimou R$ 1,54 bilhão em perdas para o comércio e serviços em poucos dias de apagão. A crise climática não é um risco distante — ela já está no caixa das empresas e no bolso do trabalhador.

Há ainda um agravante silencioso: a conta cresce mais rápido do que a proteção. Estudos citados pela imprensa econômica mostram que, nos grandes eventos recentes, apenas uma pequena fração das perdas estava segurada. O resultado é conhecido: o prejuízo recai sobre famílias, municípios e cofres públicos.

Improvisar não é mais uma opção

O padrão se repete com precisão constrangedora: o desastre acontece, a imagem choca, o governo corre, os recursos chegam tarde, as obras ficam pela metade e a prevenção vira nota de rodapé. Até o próximo evento extremo.

Não se trata de falta de diagnóstico. Trata-se de falta de vontade política com lastro, ou seja, compromisso capaz de sobreviver ao calendário eleitoral.

Governar sem uma política climática robusta já se tornou uma forma de negligência econômica. Prometer crescimento sem apresentar um plano sério de adaptação e resiliência é, na prática, prometer prosperidade sobre terreno alagadiço.

As perguntas que não podem mais ser evitadas

A cobrança que começa a ecoar com mais força é direta e inevitável:
quem governa — ou pretende governar — vai reduzir o “imposto do desastre” que já consome 1,3% do PIB por ano? Em quanto tempo? Com quais metas? Com qual orçamento? Com quais instrumentos? E quem será responsabilizado se não entregar?

Sem essas respostas, compromisso climático vira slogan. E slogan não segura encosta, não enterra fiação, não amplia drenagem, não protege subestação, não reordena áreas de risco e não impede pequenos comércios de fecharem as portas.

Plano ou propaganda: a linha é clara

O Brasil não precisa de mais discursos. Precisa de governança. Qualquer candidatura minimamente séria deveria assumir publicamente, com cronograma, compromissos básicos como:

Orçamento carimbado para adaptação e prevenção.

Mapa nacional de riscos atualizado e acessível à população.

Obras de resiliência urbana: drenagem, encostas, saneamento e recuperação de áreas críticas.

Energia resiliente, com proteção de redes e resposta rápida a eventos extremos.

Sistemas de alerta precoce e Defesa Civil fortalecida.

Política de seguros e crédito climáticos que premie a prevenção.

Agricultura adaptada ao risco climático, com gestão de água, solo e seguro rural.

Desmatamento ilegal zero, com inteligência e fiscalização efetiva.

Economia da floresta em pé como estratégia produtiva real.

Transparência climática: quanto cada real investido evitou de prejuízo.

Painel público mensal de entregas — metas verificáveis, não apresentações vazias.

Não existe mais neutralidade

Tratar essa agenda como “tema de nicho” é, na prática, aceitar a continuidade do prejuízo e terceirizar a dor para a população, os municípios e os pequenos negócios.

O Brasil precisa de um próximo governo que compreenda o óbvio: a crise climática é hoje a maior política econômica invisível do país. Invisível apenas para quem ainda pode se dar ao luxo de ignorá-la.

A conta já chegou. Está carimbada.
A única dúvida é se continuará sendo paga com vidas, apagões, inflação e reconstrução eterna — ou com planejamento, prevenção e um Estado verdadeiramente competente.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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