Estamos entregando o Amazonas aos estrangeiros
Estamos entregando o Amazonas aos estrangeiros. Seja nas terras-raras, seja nos rios, seja na tragédia anunciada da foz do Rio Amazonas. Enquanto o mundo disputa o domínio de minerais críticos para a transição energética e o avanço tecnológico, o Amazonas guarda um potencial estratégico gigantesco — ainda invisível, ou convenientemente ignorado, por boa parte do país.
Um potencial capaz de transformar o Brasil em potência mineral global, mas que hoje está sendo cedido, loteado e explorado. A verdade é dura: falta capacidade ao Brasil.
Não produzimos sequer adubo em escala suficiente para nossa agricultura. Falta política industrial, falta pesquisa aplicada, falta visão de futuro.
As universidades, que deveriam liderar estudos estratégicos sobre mineração sustentável, soberania mineral e inovação tecnológica, estão desconectadas das necessidades reais do país. Não se trata de atacar estudantes ou instituições, mas de denunciar a ausência de direcionamento nacional.
Apuí e São Gabriel da Cachoeira: o ouro invisível do século XXI
Duas áreas do estado do Amazonas despontam como promissoras fontes de Terras-Raras:Apuí e São Gabriel da Cachoeira.
Terras-raras são um grupo de metais essenciais para: Turbinas eólicas – Veículos elétricos – Baterias – Sensores – Equipamentos médicos – Tecnologia militar de alta precisão Ou seja: quem controla esses minerais, controla o futuro.
No município de Apuí, no sul do Amazonas, está um dos projetos mais promissores do país. A empresa australiana Brazilian Critical Minerals avança no dimensionamento de reservas de terras-raras em argilas iônicas — um dos depósitos mais estratégicos do planeta.
A produção está prevista entre 2027 e 2028. Testes laboratoriais apontaram: Teor médio de 793 ppm – Taxa de recuperação de até 87% – Elementos valorizados como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio
Resultados comparáveis aos grandes depósitos da China, que hoje responde por cerca de 90% da produção mundial.
Vergonha nacional
A pergunta que ecoa é simples e brutal: por que não somos nós?
Por que o solo brasileiro, a riqueza amazônica e os minerais estratégicos estão sendo explorados por empresas estrangeiras, enquanto o Brasil assiste passivamente?
A resposta passa por: Falta de planejamento nacional – Omissão do Estado – Conivência política – Interesses escusos que se aproveitam dessas transações
É vergonhoso ver o Brasil abrir mão de sua soberania mineral, enquanto políticos se beneficiam e a população permanece à margem das decisões.
A posição da Fama Amazônica
A Revista Fama Amazônica manifesta profunda preocupação com essa lógica de entrega.
Não somos contra desenvolvimento.
Não somos contra pesquisa.
Não somos contra exploração responsável.
Somos contra a entrega silenciosa do que é do povo brasileiro.
A Amazônia não pode continuar sendo apenas um estoque de riquezas para o mundo, enquanto o Brasil fica com os impactos ambientais, sociais e a eterna promessa de progresso.
A Amazônia é estratégica.
O Amazonas é soberano.
E o Brasil precisa acordar.
Fama Amazônica
Jornalismo crítico, amazônico e independente
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





