A Inovação que Nasce no Meio da Floresta
A Inovação que Nasce no Meio da Floresta – Muita gente ainda pensa que inovação só acontece em prédios espelhados, salas geladas e cidades grandes demais para caber num abraço. Mas aqui, no Amazonas, ela nasce diferente.
Nasce no calor do sol que bate no rio. No barulho do motor rabeta. No sinal fraco da internet que, mesmo assim, carrega sonhos. Eu, Almir Souza, que caminho há anos pelas ruas de Manaus, pelas margens dos rios e pelas histórias do nosso povo, aprendi cedo que a Amazônia não é atraso — é potência esperando oportunidade.
Enquanto alguns enxergam apenas floresta, nós vemos laboratório vivo.
Enquanto outros veem distância, nós vemos resistência.
A inovação amazônica não usa terno.
Ela usa sandália, capacete de obra, jaleco simples e, muitas vezes, o uniforme da escola pública.
Ela aparece quando um jovem aprende programação num bairro periférico de Manaus.
Quando uma startup usa dados para proteger árvores centenárias.
Quando drones sobrevoam áreas de difícil acesso para mapear queimadas.
Quando comunidades ribeirinhas passam a usar aplicativos para vender artesanato, peixe ou farinha.
Aqui, tecnologia não é luxo.
É ferramenta de sobrevivência.
É o estudante que transforma sucata em robô.
É a professora que grava aula pelo celular porque a sala não tem projetor.
É o pesquisador que cruza saber tradicional com inteligência artificial.
É o pequeno empreendedor que descobre no digital uma saída para o desemprego.
O Amazonas está aprendendo a conversar com o futuro — sem abandonar suas raízes.
Hoje já se fala em bioeconomia, cidades inteligentes, inteligência artificial, energia limpa. Mas tudo isso só faz sentido quando chega às pessoas. Quando melhora a vida real. Quando gera oportunidade onde antes só havia espera.
A inovação daqui carrega sotaque.
Tem cheiro de chuva, gosto de tucupi e ritmo de boi-bumbá.
Mistura ciência com ancestralidade.
Código com cultura.
Tecnologia com humanidade.
E talvez essa seja nossa maior revolução.
Não é copiar modelos de fora.
É criar soluções a partir de dentro.
Porque ninguém entende melhor a Amazônia do que quem vive nela.
Escrevo essa crônica como quem registra um tempo, uma transformação e uma esperança — para que amanhã, nas páginas do meu livro Crônicas da Vida Real, fique marcado que o Amazonas não ficou parado esperando ajuda.
Ele começou a se reinventar.
O futuro está sendo escrito agora — em salas improvisadas, laboratórios modestos, incubadoras nas universidades, projetos sociais nas periferias e ideias que nascem no meio da floresta.
A inovação no Amazonas não quer apenas crescer.
Ela quer permanecer.
Proteger.
Incluir.
E provar ao mundo que desenvolvimento não precisa destruir.
Pode cuidar.
Pode regenerar.
Pode florescer.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





