A Força da Inovação Coletiva na Amazônia
A Força da Inovação Coletiva na Amazônia – O mundo vive uma era de transformações rápidas — econômicas, tecnológicas, ambientais e sociais — que nenhuma organização pode enfrentar sozinha. Para superar desafios tão complexos, é preciso agir juntos, como diz Almir Souza redator escritor e pesquisador da Fama Amazônica.
Na Amazônia, essa união vem ganhando força. A região, rica em biodiversidade e lar de mais de 30 povos indígenas, é alimentada por uma imensa rede de rios que nasce nos Andes e sustenta as “florestas vivas”, essenciais para o equilíbrio climático do planeta.
Desde os anos 1970, os povos indígenas lutam para proteger suas terras do avanço de indústrias extrativas. Muitas vezes enfrentaram divisões internas estimuladas por interesses externos. Um exemplo marcante foi a vitória do povo Kichwa de Sarayaku contra o governo do Equador, que havia autorizado exploração de petróleo sem consulta prévia às comunidades locais.
Em 2017, líderes indígenas de várias nações decidiram mudar o rumo dessa história. Em vez de resistirem isoladamente, criaram a Alianza Cuencas Sagradas Amazónicas (ACSA) — um movimento coletivo para defender seus territórios e modos de vida.
A união não foi simples. Cada povo tinha sua cultura e suas prioridades, mas o diálogo e o respeito prevaleceram. “Percebemos que sozinhos não poderíamos enfrentar os grandes problemas”, diz Uyunkar Domingo Peas Nampichkai, um dos fundadores da ACSA.
O esforço coletivo ganhou projeção internacional. Em 2019, representantes de 30 povos apresentaram suas propostas na Cúpula do Clima da ONU, em Madri. Após anos de debates e encontros, nasceu um plano biorregional com nove ações para proteger o meio ambiente e promover uma economia regenerativa — que une tecnologia, sustentabilidade e oportunidades para os jovens indígenas.
Hoje, a ACSA é reconhecida como a maior aliança indígena de conservação do mundo, conquistando vitórias políticas e legais, como o bloqueio de leis que ameaçavam povos isolados no Peru e o apoio a um referendo histórico no Equador contra a exploração de petróleo no Parque Yasuní.
A história da ACSA mostra que a união é o caminho para enfrentar desafios globais. Quando diferentes setores — comunidades, governos e empresas — colaboram, surgem soluções reais e duradouras.
Como diz o especialista Adam Kahane: “Para enfrentar os desafios de hoje, precisamos trabalhar com os diferentes — pessoas de origens e ideias diversas. Só assim construiremos o futuro que o planeta precisa.”
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





