A chuva ensina, mas o poder público não aprende
A chuva ensina, mas o poder público não aprende – No Amazonas, ninguém é pego de surpresa pela chuva. Ela chega todo ano, no mesmo período, com a mesma força. A surpresa não está no céu — está na incapacidade do poder público de aprender com o que se repete.
Em Manaus, basta chover forte para a cidade travar.Bairros alagam. Casas são invadidas pela água. Famílias perdem móveis, eletrodomésticos e documentos. Pessoas ficam ilhadas dentro da própria casa. Crianças deixam de ir à escola. Trabalhadores chegam atrasados ou nem conseguem sair. O trânsito vira um caos conhecido, anunciado e ignorado.
Isso não é desastre natural.
É desastre anunciado.
Os mesmos pontos alagam todo ano.
As mesmas ruas.
Os mesmos bairros.
As mesmas famílias.
A chuva apenas revela o que já está quebrado: drenagem insuficiente, ocupação sem planejamento, ausência de políticas públicas contínuas. Quando a água sobe, ela não cria o problema — ela expõe.
Enquanto isso, o discurso oficial se repete.
Promessas emergenciais, visitas com colete, notas técnicas e nenhuma solução estrutural. Passada a chuva, passa também a pressa. O problema volta para o fundo da gaveta — até o próximo inverno.
A chuva ensina porque insiste.
Ensina onde não dá mais para empurrar o problema.
Ensina que prevenção é mais barata que reconstrução.
Ensina que cidade não se governa só no verão.
Mas o poder público não aprende.
Em Manaus, a capital da Amazônia, milhares de pessoas seguem morando em áreas vulneráveis sem alternativa real. Não por escolha, mas por abandono. Quando a água entra, ela não pergunta renda, cor ou endereço. Ela invade, destrói e vai embora, deixando o prejuízo para quem sempre paga a conta.
Depois que a água baixa, fica o silêncio.
Não há coletiva. Não há cronograma. Não há resposta.
A floresta avisa.
Os rios avisam.
As casas alagadas avisam.
As pessoas avisam.
O que falta não é alerta.
Falta aprendizado, responsabilidade e ação.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





