A Amazônia não é só floresta — é cidade quente, cheia e esquecida
A Amazônia não é só floresta — é cidade quente, cheia e esquecida – Quando se fala em Amazônia, quase sempre se imagina a floresta. Árvores altas, rios largos, silêncio verde. Pouco se fala da cidade. E quando se fala, é quase como se ela fosse um detalhe fora do lugar, um erro no mapa.
Mas a Amazônia também acorda com buzina. Acorda com calor antes das sete da manhã, com ônibus lotado, com gente correndo atrás do tempo que nunca sobra. A Amazônia urbana existe — e pulsa.
É uma cidade quente.
Quente no clima, quente no concreto, quente no corpo. O sol bate forte sobre ruas sem sombra, casas apertadas, telhados improvisados. Ventilador não é conforto, é necessidade. Descansar vira luxo.
É uma cidade cheia.
Cheia de gente, de pressa, de promessas não cumpridas. Cheia de bairros que crescem sem planejamento, de ruas que alagam com a primeira chuva mais forte. A água sobe, entra nas casas, invade a rotina. Depois desce — e deixa lama, prejuízo e silêncio.
É também uma cidade esquecida.
Esquecida quando se pensa a Amazônia só como floresta distante. Esquecida nas políticas públicas que não acompanham o crescimento urbano. Esquecida quando se cobra preservação sem olhar para quem vive no meio do concreto quente, cercado pela mata, mas longe das decisões.
O amazônida urbano aprende cedo a se adaptar.
Aprende a sair mais cedo por causa do trânsito. Aprende a guardar móveis quando a chuva ameaça. Aprende a conviver com o calor, com o improviso, com a espera. Aprende porque não tem escolha.
Enquanto o mundo discute a Amazônia em conferências, a cidade amazônica segue tentando respirar.
Falta árvore, sobra concreto. Falta planejamento, sobra resistência. Falta escuta, sobra gente querendo apenas viver com dignidade.
A Amazônia não é só floresta intocada.
É também rua alagada, casa simples, criança brincando no calor, trabalhador voltando tarde, mãe reorganizando a vida depois da chuva.
Ignorar a cidade amazônica é ignorar milhões de pessoas.
E não há preservação possível quando quem vive aqui não é visto.
A Amazônia é floresta, sim.
Mas também é cidade.
E cidade viva merece cuidado, respeito e futuro.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





