CULTURA & IDENTIDADE
CULTURA & IDENTIDADE – A cultura brasileira só é respeitada quando dá palco – A cultura brasileira só é lembrada quando vira festa, quando tem palco, holofote e aplauso fácil.
Passado o evento, restam o silêncio, os artistas esquecidos e a ausência de políticas públicas contínuas.
O que deveria ser identidade vira apenas calendário. Artistas populares sobrevivem à margem, sustentando tradições com esforço próprio, enquanto a cultura é usada como vitrine política — inaugurada em discursos, explorada em campanhas e abandonada no dia seguinte.
A arte vira ferramenta de marketing, não de pertencimento.
Nesse cenário, a Lei Rouanet, criada para incentivar a cultura, acaba revelando um abismo: enquanto grandes projetos e nomes consagrados conseguem captar milhões, artistas de base, cultura popular e iniciativas periféricas enfrentam burocracia, falta de acesso e invisibilidade.
O problema não está na lei em si, mas em quem consegue alcançá-la.
Não há investimento permanente, não há descentralização, não há respeito real.
Há apenas a exploração simbólica do que emociona o povo, sem garantir dignidade a quem constrói essa emoção. Cultura não é gasto eventual, é base social, memória viva e resistência.
Quando a cultura só vale na época da festa — ou quando só existe para quem tem acesso aos mecanismos certos — o país mostra que não valoriza sua própria história, apenas o espetáculo que ela produz.
Fama Amazônica | Editorial
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





