Sapucaí da Contradição: Quando o Brasil Real Vira Detalhe
Sapucaí da Contradição: Quando o Brasil Real Vira Detalhe – Depois das barbáries apresentadas no desfile da Marquês de Sapucaí — que escancararam um Brasil simbólico, seletivo e desconectado da realidade amazônica — o Governo Lula, pressionado por lideranças indígenas, anunciou a suspensão do processo de contratação para a dragagem de hidrovias.
A medida, no entanto, está longe de encerrar o conflito. As lideranças indígenas afirmam que a luta continua, pois o objetivo central não é apenas a suspensão pontual, mas a revogação definitiva do decreto que autoriza obras de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
Os povos da região exigem algo básico em qualquer democracia que se pretenda séria: serem ouvidos, conforme determina a Organização Internacional do Trabalho, por meio da Convenção nº 169.
Mesmo após o anúncio do governo federal, os indígenas seguem acampados. O coletivo afirma que nenhuma das reivindicações essenciais foi atendida.
Alessandra Munduruku, uma das mais expressivas lideranças do movimento, foi direta:
“A suspensão, para a gente, não é nada. É somente para enganar o povo. O nosso acampamento continua.”
A fala ecoa um sentimento cada vez mais presente: o de descrédito absoluto.
O que se vê é um governo que sinaliza, recua, anuncia e suspende — mas não resolve. Um governo que se comunica mais com palcos, narrativas e símbolos do que com quem vive às margens dos rios, sente o impacto direto das obras e carrega, há séculos, o peso das decisões tomadas sem consulta.
A preocupação é grande. Nada do que este governo faz parece transparente ou voltado ao interesse real da nação.
As ações são percebidas como improvisadas, ideológicas e, muitas vezes, prejudiciais ao país profundo — aquele que não desfila, não aparece em holofotes, mas sustenta o Brasil de verdade.
Diante desse cenário, cresce a pergunta que já circula nas ruas, nas comunidades e nos acampamentos:
há, de fato, condições políticas, morais e institucionais para seguir governando o país?
A Amazônia observa. E não esquece.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





