Na Amazônia, Carnaval também é resistência
Na Amazônia, Carnaval também é resistência – Enquanto o Carnaval do Brasil explode em cores, patrocínios milionários e transmissões em rede nacional, aqui em Manaus a festa tem outro significado.
Na Amazônia, Carnaval não é só alegria. É insistência. É sobrevivência cultural. É resistência.
Por trás dos desfiles e blocos existe um exército invisível: costureiras que viram noites, ritmistas que ensaiam sem estrutura, coreógrafos improvisando espaços, comunidades inteiras colocando dinheiro do próprio bolso para manter viva uma tradição que raramente ganha destaque fora da região.
Aqui, quase tudo é feito “no braço”.
Falta investimento público consistente.
Falta reconhecimento nacional.
Falta espaço na grande mídia.
Mas nunca falta paixão.
O Carnaval amazônico nasce nas periferias, nos barracões simples, nas quadras improvisadas, nos quintais transformados em ateliês. Ele é construído com criatividade, reaproveitamento de materiais, solidariedade entre vizinhos e um amor profundo pela cultura popular.
Enquanto outras capitais recebem holofotes, artistas locais seguem invisíveis para o restante do país. Ainda assim, continuam criando alegorias, bordando sonhos e ensinando às crianças que tradição não se abandona — se defende.
E isso diz muito sobre quem somos.
Na Amazônia, fazer Carnaval é um ato político.
É afirmar identidade.
É proteger memória.
É provar que cultura não depende apenas de verba — depende de pertencimento.
Mas não deveria ser assim.
Cultura não pode viver só de heroísmo. Precisa de políticas públicas, planejamento, respeito institucional e investimento contínuo. Sem isso, a festa sobrevive, mas os artistas adoecem, as comunidades se cansam e a tradição corre risco.
Celebrar o Carnaval amazônico é também cobrar.
Cobrar visibilidade.
Cobrar recursos.
Cobrar valorização.
Porque aqui, mais do que festa, o Carnaval é resistência cultural viva — pulsando no coração da floresta e ecoando nos tambores de um povo que se recusa a ser esquecido.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





