O metrô que Manaus sonhou — e ainda espera
O metrô que Manaus sonhou — e ainda espera – Prometido há anos atrás em Manaus, um metrô de superfície ficou guardado apenas no imaginário dos moradores da nossa cidade.
Eu, Almir Souza, relembro esse assunto não apenas como crítica — mas como uma boa ideia que poderia ter mudado o rumo da mobilidade urbana manauara.
Manaus cresceu sem planejamento. Cresceu empurrada pela necessidade, pela migração, pela economia, pelo improviso. A cada ano surgem novos viadutos, novos complexos viários, novas intervenções para “desafogar” o trânsito. Mas o resultado é sempre o mesmo: mais carros, mais engarrafamentos, mais tempo perdido.
A cidade virou refém do asfalto.
Enquanto isso, aquela promessa antiga — o metrô de superfície, ou mesmo o monotrilho — foi ficando para trás, soterrada por gestões curtas, prioridades trocadas e projetos que nunca ultrapassaram o papel.
Manaus hoje tem mais de dois milhões de habitantes e segue sendo uma das maiores cidades do Brasil sem transporte sobre trilhos.
Ônibus lotados. Viagens que levam horas. Trabalhadores saindo de casa ainda de madrugada. A Zona Leste continua distante do Centro-Sul não só em quilômetros, mas em qualidade de vida.
Já se falou em monotrilho. Já se falou em metrô de superfície. Já se fizeram estudos, assinaturas, anúncios. Disseram que reduziria o tempo de deslocamento em até uma hora. Disseram que levaria mais de 200 mil passageiros por dia. Disseram que seriam poucas desapropriações.
Disseram.
Mas o que ficou foi apenas o eco dessas promessas.
O solo amazônico dificulta metrôs subterrâneos — isso é fato. Justamente por isso, soluções suspensas ou de superfície sempre foram as mais viáveis. Mesmo assim, seguimos apostando quase exclusivamente em ônibus e viadutos, como se isso resolvesse um problema estrutural.
Mobilidade urbana não se resolve só com concreto.
Resolve-se com visão de futuro.
E eu fico imaginando Manaus hoje com um metrô de superfície ligando a Zona Leste ao Centro-Sul. Estações integradas aos terminais. Trens silenciosos cruzando avenidas. Menos carros. Menos estresse. Mais tempo em casa. Mais dignidade no deslocamento diário.
Talvez não resolvesse tudo — mas resolveria muito.
Resolveria o cansaço acumulado de quem passa três horas dentro de um coletivo. Resolveria parte da desigualdade urbana. Resolveria a dependência absoluta do transporte rodoviário.
Manaus não precisa apenas de mais viadutos.
Precisa de planejamento real.
Precisa de coragem política.
Precisa parar de pensar pequeno.
Aquele metrô que um dia foi prometido ainda vive na memória da cidade. E talvez esteja na hora de tirá-lo do imaginário e trazê-lo de volta ao debate público — não como promessa vazia, mas como projeto sério de futuro.
Porque uma cidade só cresce de verdade quando aprende a se mover melhor.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





