Universidades do Amazonas: formar para o futuro ou apenas repetir modelos?
Universidades do Amazonas: formar para o futuro ou apenas repetir modelos? – No Amazonas,as universidades ainda seguem, em grande parte, modelos de formação importados de outras regiões do país — sem considerar plenamente a realidade amazônica.
Temos rios como estradas, floresta como território vivo, biodiversidade única, comunidades ribeirinhas, desafios logísticos enormes e um potencial econômico gigantesco ligado à água, à ciência ambiental e à bioeconomia. Mesmo assim, são poucos os cursos realmente pensados para esse contexto.
Por que ainda não temos, em larga escala:
– Engenharia Naval Fluvial
– Tecnologia em Transporte Hidroviário
– Arquitetura Ribeirinha Sustentável
– Gestão de Recursos da Amazônia
– Bioeconomia e Biotecnologia Florestal
– Engenharia de Energias Renováveis Amazônicas
– Tecnologia em Construções sobre palafitas
– Turismo de Base Comunitária
– Manejo de rios, lagos e pesca sustentável
O estudante amazonense deveria sair da universidade preparado para resolver problemas locais — e não apenas disputar vagas em mercados distantes.
Formar jovens para trabalhar pela Amazônia é mais estratégico do que formar jovens apenas para sair dela.
Mas essa discussão não pode ficar restrita ao ensino superior.
📘 A importância das escolas técnicas
Além das universidades, é urgente que o Amazonas passe a investir com mais seriedade nas escolas técnicas e cursos profissionalizantes.
Nem todo jovem consegue ou precisa ingressar imediatamente numa universidade. Muitos necessitam primeiro de uma formação prática, rápida e acessível — que gere renda, dignidade e perspectiva de futuro.
Cursos técnicos em áreas como:
– Mecânica naval
– Eletricidade e energia solar
– Construção civil sustentável
– Refrigeração
– Informática e redes
– Agroecologia
– Aquicultura e pesca
– Logística fluvial
– Manutenção industrial
– Turismo regional
poderiam transformar milhares de vidas.
Hoje, infelizmente, parte da juventude amazônica cresce sem oportunidades concretas. A ausência de qualificação, aliada à falta de políticas públicas consistentes, deixa muitos jovens vulneráveis à marginalização e ao abandono social.
Educação técnica é também política de prevenção.
Quando o jovem tem um curso, um objetivo e uma profissão em construção, ele ganha autoestima, ocupa seu tempo com aprendizado e passa a enxergar um futuro possível dentro do próprio Amazonas.
Precisamos de mais investimentos em:
✔️ escolas técnicas nos bairros e municípios do interior
✔️ bolsas para estudantes de baixa renda
✔️ parcerias com empresas locais
✔️ formação alinhada às vocações amazônicas
A Amazônia não precisa apenas de doutores.
Precisa também de técnicos, operadores, construtores, mantenedores e profissionais de base.
Sem isso, continuaremos vendo talentos se perderem enquanto problemas sociais avançam.
Educação, aqui, não pode ser genérica num território tão específico.
Investir em universidades conectadas à realidade amazônica e em escolas técnicas fortes é investir em soberania, desenvolvimento sustentável e permanência da juventude em sua própria terra.
A pergunta que fica é simples:
Estamos formando profissionais para o Amazonas…
ou apenas reproduzindo currículos que não nos representam?
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





