Fama Amazônica — Alibaba e os 40 Ladrões
Fama Amazônica — Alibaba e os 40 Ladrões – Nos últimos dois meses, um fenômeno raro vem acontecendo no Brasil. Parte da imprensa escrita, falada, televisiva e até blogs independentes resolveu, enfim, dizer em voz alta o que sempre esteve diante dos olhos do povo: a verdade sobre o que realmente acontece no país.
Chegamos ao ponto em que até o maior grupo de comunicação do Brasil — e um dos maiores da América Latina — começou a relatar fatos que por décadas foram ignorados, abafados ou relativizados. Todos que ainda conservam consciência sabem que o Brasil vive, há mais de trinta anos, mergulhado em escândalos de corrupção. Mensalão, Petrolão.
É uma sucessão interminável de crimes contra o dinheiro público. Mais recentemente, vieram à tona denúncias envolvendo aposentados do INSS e agora o escândalo do Banco Master, ampliando ainda mais a sensação de que não há limites para o saque aos cofres da nação.
Confesso aos leitores da Revista Fama Amazônica: nunca vivi uma experiência política e social como esta. O que se vê hoje é um cenário que ultrapassa o absurdo. A Suprema Corte, que deveria zelar pela Constituição, passa a agir como polícia política, tentando manter sob sigilo o que já é considerado o maior escândalo financeiro da história recente — algo que causaria inveja até a lenda de Alibaba e os 40 Ladrões.
A corrupção contaminou todos os setores da política. O silêncio se tornou regra. Autoridades que deveriam falar se calam, como se nada de grave estivesse acontecendo. Como se o país não estivesse sendo sangrado em praça pública.
Nos últimos trinta anos, praticamente todos os grandes casos de corrupção foram arquivados. Sempre houve uma brecha jurídica, uma manobra, uma anulação conveniente. Como dizem alguns dos mais respeitados economistas do país, há hoje uma “pizza no forno do tamanho do Maracanã”.
O mais preocupante é que quase metade da população brasileira não teve acesso sequer a uma educação básica de qualidade. Muitos não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz, o que facilita a repetição desse ciclo perverso.
Lembro das palavras do meu amigo, já falecido, Evandro Carreira, que dizia, de forma dura, que a ralé não deveria votar — não por desprezo ao povo, mas pela constatação amarga de que votos sempre foram trocados por camisetas, favores ou alguns poucos trocados.
Amigos leitores da Revista Fama Amazônica, não se surpreendam se, mais uma vez, sobrar apenas uma fatia dessa pizza para o povo. O que mais causa espanto não é apenas o roubo em si, mas o silêncio dos Alibabás dos tempos modernos, que observam tudo de longe, protegidos, enquanto o país afunda.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





