Zona Franca de Manaus: o velho discurso que sempre volta em ano político
Zona Franca de Manaus: o velho discurso que sempre volta em ano político – Todo início de ano eleitoral é igual. Em 2026, mais uma vez, surgem os mesmos personagens, os mesmos discursos e os mesmos “defensores” da Zona Franca de Manaus. Políticos que, de repente, vestem o figurino de salvadores da pátria, como se o Polo Industrial de Manaus precisasse ser resgatado por quem só aparece quando a eleição se aproxima.
Isso não é novo. Acontece todos os anos. Acontece há décadas. A Zona Franca de Manaus chega ao fim de 2025 com 61 projetos industriais e de serviços aprovados, e a expectativa de crescimento para 2026 é real. O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, afirmou que as projeções são “muito positivas” e que o modelo vive um “bom momento”. Até aí, os números seguem um fluxo que sempre existiu.
O problema começa quando se tenta atribuir esse movimento a governos ou gestões específicas, como se a Zona Franca dependesse de discursos recentes para existir.
Segundo Bosco Saraiva, o bom desempenho da economia brasileira e a “segurança jurídica” oferecida pelo atual governo federal teriam sido fundamentais para os resultados positivos da Zona Franca. Mas é preciso dizer com clareza:
👉 A Zona Franca de Manaus não sobrevive por benevolência de governo nenhum.
Ela existe porque está garantida na Constituição Federal. Esse é o único chão sólido que sustenta o modelo.
Falar em “segurança jurídica” soa, no mínimo, desconectado da realidade vivida pelos amazonenses nos últimos anos. O que se viu foi o avanço de privatizações, a tentativa de mercantilizar até os rios, o garimpo ilegal correndo solto por muito tempo, comunidades vulneráveis desassistidas e uma Amazônia frequentemente tratada como discurso internacional, não como território vivo.
Enquanto isso, ONGs captaram milhões em nome da Amazônia, sem que a população local percebesse resultados concretos, estruturantes ou duradouros. Muito dinheiro circulou fora do Amazonas, enquanto problemas históricos continuaram exatamente onde sempre estiveram.
Dizer que “o governo deu segurança” soa como narrativa conveniente.
Porque, na prática, as coisas seguiram como sempre seguiram.
A Zona Franca resistiu — não por propaganda política, mas porque é um modelo constitucional, estratégico e essencial para evitar o colapso econômico e ambiental da região. Sem ela, o desmatamento, o desemprego e a desigualdade seriam ainda maiores.
Por isso, é preciso dizer sem rodeios:
🔹 A Zona Franca não precisa de salvadores ocasionais.
🔹 Precisa de respeito, planejamento de longo prazo e compromisso real com o Amazonas.
🔹 Precisa que parem de usá-la como palanque eleitoral.
A Amazônia não é slogan.
A Zona Franca não é favor.
E o povo amazonense não é plateia de discurso repetido.
Revista Fama Amazônica – 2026
Jornalismo crítico, memória histórica e compromisso com a verdade da floresta e do povo.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





