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Universidades para existir: o futuro do Amazonas começa na educação

Universidades para existir: o futuro do Amazonas começa na educação – O Amazonas é maior do que suas estatísticas. Maior do que seus índices educacionais, maior do que o abandono histórico que insiste em nos definir.

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Somos o maior estado brasileiro em território, guardiões da maior floresta do planeta, herdeiros de saberes milenares — e, ainda assim, seguimos limitados por uma estrutura educacional que não alcança a imensidão do nosso povo.

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Hoje, todo o Amazonas depende de uma única universidade estadual. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) cumpre um papel fundamental, mas é humanamente impossível que uma instituição sozinha atenda um território de mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados e uma população superior a quatro milhões de habitantes.

O resultado é cruel e silencioso: talentos desperdiçados, sonhos interrompidos, futuros adiados.

Em cidades como Tefé, Parintins, Tabatinga, Humaitá e em dezenas de municípios do interior, jovens capazes não desistem por falta de vocação, mas por falta de oportunidade. Cada vaga inexistente representa um projeto de vida abortado — e um prejuízo irreparável para o desenvolvimento regional.

O Amazonas vive um paradoxo histórico. Possui tudo o que o mundo disputa, mas ainda não decidiu investir plenamente em sua própria inteligência. Enquanto exportamos recursos naturais, continuamos importando soluções. Esse modelo nos mantém presos à lógica da exploração e da dependência.

Criar três novas universidades estaduais nos próximos dez anos não é exagero, é sobrevivência. É a chance de romper com o passado colonial e inaugurar um ciclo de protagonismo amazônico. Mas essas universidades precisam nascer com identidade própria: comprometidas com a ciência, com a floresta e com as pessoas.

Não se trata apenas de salas de aula e diplomas. Trata-se de reconhecer pajés, parteiras, mestres da floresta e povos tradicionais como detentores de saberes legítimos. De construir instituições onde o conhecimento acadêmico dialogue com o conhecimento ancestral, formando uma ciência amazônica, enraizada e transformadora.

Sem universidades, o Amazonas continuará sendo território. Com universidades, pode se tornar destino. O futuro do maior estado brasileiro não será definido apenas por sua geografia, mas pela coragem de educar sua própria gente.

Fama Amazônica
Educação é soberania. Conhecimento é libertação.

Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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