EDITORIAL DE FINAL DE ANO – FAMA AMAZÔNICA
EDITORIAL DE FINAL DE ANO – FAMA AMAZÔNICA – Quando a omissão também destrói a Amazônia – Primeiramente, desejamos um Feliz Natal e um Ano Novo de consciência a todo o povo amazonida e brasileiro.
Este editorial não nasce da esperança. Nasce do cansaço, da indignação e da urgência. A Amazônia está sendo negociada, e isso já não é segredo para ninguém. O que mais choca não é apenas a ação de quem lucra com a destruição, mas o silêncio conveniente de quem deveria defender.
A Fama Amazônica denuncia há anos o avanço do desmatamento, da grilagem, da exploração ilegal e das decisões políticas tomadas a portas fechadas, sem consulta popular, sem transparência e sem respeito às comunidades que vivem nesta terra. Parlamentares e gestores públicos legislam contra a floresta enquanto discursam em sua defesa.
É preciso dizer com todas as letras:
a Amazônia está sendo loteada com aval político.
Pior ainda é constatar que grande parte da população assiste a tudo de forma passiva. Não cobra, não reage, não se mobiliza. Quando alertamos sobre crimes ambientais, as visualizações caem. Quando o assunto é festa, entretenimento ou banalidade, os números disparam. Isso também é escolha política.
A destruição da Amazônia não acontece apenas pelas motosserras, mas pela indiferença coletiva. Quem se cala consente. Quem ignora, permite. Quem prefere o conforto da distração à defesa da floresta autoriza sua destruição.
A Fama Amazônica é um projeto sem fins lucrativos, mas com um custo alto: enfrentar interesses econômicos, políticos e institucionais que preferem o silêncio à verdade. Não somos oposição partidária, mas somos oposição à destruição, venha ela de onde vier.
Continuando, eu, Almir Souza, confesso que estou triste e profundamente decepcionado com tudo o que estamos vendo e sentindo na própria carne.
Não se trata de discurso, nem de opinião confortável. Trata-se de vivência. Trata-se de acompanhar de perto a devastação avançando enquanto autoridades se omitem, negociam ou fingem não ver. Alertar cansa. Denunciar desgasta. Resistir, muitas vezes, adoece.
Dói perceber que quem levanta a voz em defesa da Amazônia é tratado como exagerado, radical ou inconveniente, enquanto os verdadeiros radicais seguem protegidos por interesses políticos e econômicos. Defender a floresta virou incômodo. Destruí-la virou negócio.
O que sentimos na própria carne é o peso da indiferença, da falta de apoio e da ausência de reação popular. Ainda assim, seguimos — não por aplauso, mas por consciência. Porque só se decepciona quem acredita. Só se entristece quem ama esta terra.
Eu, Almir Souza, finalizo este editorial de final de ano com lágrimas nos olhos, principalmente ao olhar para a juventude da Amazônia e do Brasil. Uma juventude que cresce cercada por discursos vazios, promessas falsas e distrações constantes, enquanto seu maior patrimônio — a floresta, a terra, a água e o futuro — é negociado sem o seu consentimento.
O futuro que está sendo roubado não é o meu.
É o deles.
Temo que estejamos formando uma geração que herde um território devastado, uma democracia frágil e uma memória apagada. A juventude deveria ser linha de frente da transformação, mas foi empurrada para a margem por um sistema que prefere cidadãos distraídos a cidadãos conscientes.
Ainda há tempo.
Mas o tempo está acabando.
Encerramento
Encerramos este editorial não com festa, mas com consciência. Não com aplausos, mas com verdade. A Amazônia segue ferida, a política segue falhando e parte da sociedade segue indiferente. Ainda assim, enquanto houver floresta em pé e enquanto houver quem registre, denuncie e resista, a Fama Amazônica continuará existindo.
Que este texto não seja apenas lido — que seja lembrado.
Que não seja tratado como exagero — mas como alerta.
E que, quando o futuro cobrar explicações, fique registrado que não nos calamos.
Fechamos o ano cansados, sim.
Mas de pé.
Porque a Amazônia merece mais do que silêncio.
Almir Souza
Fama Amazônica
Editorial de Final de Ano





