Brasil, faça o que a COP não pôde fazer
Brasil, faça o que a COP não pôde fazer – A COP 30 termina amanhã. E, depois de mostrar ao mundo que nossos governantes perderam completamente a vergonha na cara — um governo medíocre, cercado de bajuladores e incapaz de assumir a própria responsabilidade — resta admitir: o Brasil precisa fazer o que a COP não pode fazer.
O mundo viu nossa incapacidade exposta. Viu o espetáculo constrangedor que entregamos. Viu uma ONU paralisada e um país que, por não fazer o dever de casa, implora socorro internacional. Mas a verdade é simples: ninguém salvará a Amazônia se o Brasil continuar falhando com ela.
O que a floresta precisa não é discurso, nem promessa vazia.
A Amazônia precisa de segurança pública.
Precisa de Estado.
Precisa de espírito público.
E precisa disso agora.
O crime organizado é o que a COP não debateu — e é o que o Brasil insiste em ignorar
Entre palavras bonitas como “neutralidade”, “financiamento” e “transição”, um tema central ao futuro da Amazônia passou quase ileso pelos debates: o avanço devastador do crime organizado e sua violência fatal contra mulheres, meninas e adolescentes.
Sem enfrentar essa realidade, não há Clima, COP ou ONU que resolva.
Porque sem segurança pública, não há sustentabilidade possível.
A verdade que precisa ser dita — e escrita com todas as letras:
não é a COP que deve resolver o crime organizado na Amazônia.
É o Brasil.
Com coragem institucional.
Com legislação moderna e dura.
Com compromisso real com a vida.
Amazônia: o crime organizado como máquina de violência
Os números falam com brutalidade: A Amazônia Legal registra 141,3 casos de violência sexual por 100 mil menores, 21,4% acima da média nacional.
Mais de 31 mil crianças e adolescentes foram violentadas entre 2021 e 2023.
Nas fronteiras, a taxa sobe para 166,5 casos por 100 mil menores.
No Amazonas, entre 2023 e 2024, os estupros cresceram 42,91% e os feminicídios 26%.
81% das vítimas são meninas negras, pardas ou indígenas.
A presença de facções criminosas aumentou mais de 90% nos municípios amazônicos.
Não é coincidência. Não é acaso.
É estrutura criminosa em expansão.
O crime organizado opera como Estado paralelo
E faz isso porque o Estado real falha, recua ou se omite.
As facções hoje: controlam rios, rotas, garimpos, portos e fronteiras; exploram meninas e adolescentes como mercadoria e moeda; financiam o desmatamento e alimentam economias ilegais; impõem medo, silêncio e morte; tratam pessoas e florestas como descartáveis.
A devastação ambiental e a violência contra mulheres não são fenômenos separados.
São duas engrenagens da mesma máquina criminosa.
Brasil, é agora — ou depois será tarde demais
A COP termina. Os discursos se dissolvem. As comitivas viajam. Mas a Amazônia permanece — ferida, sitiada, violentada.
E a responsabilidade é nossa.
De um país que precisa finalmente olhar para dentro e admitir: sem enfrentar o crime organizado, não existe projeto de futuro para a Amazônia.
A floresta pode sobreviver a incêndios.
Mas não sobrevive à ausência do Estado.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





