O Amazonas de Fora da COP-30: Um Espetáculo de Desorganização e Descaso
O Amazonas de Fora da COP-30: Um Espetáculo de Desorganização e Descaso – O Amazonas ficou de fora dessa COP-30. E talvez tenha sido melhor assim — porque o que se vê em Belém é um verdadeiro espetáculo de desorganização, vaidade política e despreparo generalizado.
O Brasil, que deveria dar exemplo de liderança climática, está mostrando ao mundo a sua face mais frágil: um governo que não faz a lição de casa e ainda insiste em posar de protagonista global. O evento, que prometia ser histórico, virou sinônimo de improviso.
A COP-30, que deveria ser a vitrine da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental, se transformou em uma vitrine de falhas, atrasos e contradições. Nem o simbolismo da Amazônia parece ter sido respeitado. O estado do Amazonas, coração pulsante da floresta e símbolo máximo da luta ambiental, acabou relegado ao papel de espectador — assistindo de camarote à farsa montada no Pará.
Enquanto isso, o governador Helder Barbalho se esforça para encobrir com discursos o que os olhos do mundo já enxergam: uma “barbaridade” de gestão e uma política ambiental mais voltada para o marketing do que para o compromisso com o planeta.
A cena política também não escapou do constrangimento. O comportamento desastroso de autoridades e até da primeira-dama virou motivo de piada nas redes e entre convidados estrangeiros — um retrato do despreparo e da falta de compostura em um evento de tamanha importância.
A verdadeira COP acontece nas ruas
Longe dos tapetes vermelhos e das salas climatizadas, a Cúpula dos Povos por Justiça Climática mostra o outro lado da história. O movimento global e autônomo, que reúne coletivos, redes, movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais, se consolidou como o verdadeiro contraponto às falsas soluções e ao silenciamento das vozes populares.
“A COP-30 precisa representar um ponto de virada e endereçar as ações necessárias para o enfrentamento da crise climática”, diz o manifesto “Da Amazônia para o mundo: basta de desigualdades e racismo ambiental, justiça climática já!” — documento que norteia a Cúpula dos Povos.
Os participantes denunciam que, há anos, as Conferências do Clima se repetem como um ritual burocrático, aprofundando desigualdades e mantendo o controle das negociações nas mãos de grandes corporações.
A mobilização inclui a Marcha do Clima, a COP do Povo, a Aldeia COP — espaço multiétnico que deve reunir cerca de três mil indígenas —, além de bicicletadas, barqueatas e caravanas vindas de toda a Amazônia e de países vizinhos.
Trata-se de uma demonstração de força das bases, da verdadeira Amazônia viva e coletiva, que resiste à exploração e à indiferença.
Democracia sob vigilância
O anúncio do presidente Lula de que pretende usar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) durante a conferência acendeu um sinal de alerta. Para os organizadores da Cúpula, a militarização é um risco à participação democrática.
“A militarização não protege a ordem — apenas multiplica a violência e reforça o racismo institucional, atingindo de modo seletivo lideranças negras, indígenas e de comunidades tradicionais”, diz o ofício entregue ao Ministério Público Federal.
Conclusão
Enquanto o governo encena compromissos e discursos, o povo da Amazônia segue lutando de verdade pela floresta, pela vida e pela justiça climática.
Fora dos palcos oficiais, é onde nasce o grito mais legítimo desta COP-30: “a Amazônia não é cenário — é resistência.”
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





