COP de Belém e o Teatro Climático Global
COP de Belém e o Teatro Climático Global – Está acontecendo o que já prevíamos: o fracasso anunciado da COP30 – Mais uma vez, o planeta é palco de discursos, promessas e ilusões — tudo para constar nos relatórios, nada para mudar a realidade. A conferência de Belém começou como uma grande vitrine de esperanças, mas logo se revelou o mesmo roteiro de sempre: acordos no papel e omissões na prática.
O Brasil, infelizmente, chega à COP30 sem rumo e sem moral. Nosso governo, enfraquecido e sem direção, tenta mostrar ao mundo uma imagem que não condiz com o que vivemos internamente. Um país entregue ao improviso, à desordem e à falta de coerência ambiental. Enquanto isso, entre eventos e danças protocolares, seguimos expondo a fragilidade de nossa política e o descrédito de nossas lideranças.
Brilho Enganoso das Cifras
A nova meta climática da União Europeia, anunciada às vésperas da conferência, veio com o brilho enganoso das cifras redondas — e o cansaço moral das velhas promessas. Após longas negociações, o bloco que se autoproclama “vanguarda ambiental” saiu de Bruxelas com um número vistoso: redução de 90% das emissões até 2040.
Mas, ao examinar o conteúdo, o entusiasmo desaparece. Trata-se de uma meta frouxa, com brechas e compensações que perdoam o pecado antes da confissão. Na prática, até 10% das reduções poderão ser feitas via créditos de carbono estrangeiros, o que reduz a verdadeira diminuição para cerca de 80%.
O setor de transporte — responsável por cerca de um quarto das emissões da UE — continua sendo o elo mais problemático. Estudos apontam que “road transport is the only sector with rising emissions”. Ou seja: a promessa de cortar emissões virou puro marketing ambiental.
Um Slogan para Disfarçar a Desistência
A “meta de 90%” é, na verdade, um slogan para disfarçar a desistência. Enquanto isso, os efeitos do colapso climático se aceleram, e o planeta cobra coerência. O Acordo de Paris, que sonhava em limitar o aquecimento global a 1,5°C, virou uma ficção estatística.
A liderança europeia, outrora referência moral, hoje soa cínica: discursos bem redigidos, metas flexíveis e um sistema de compensações que empurra o custo real para os países em desenvolvimento.
A Amazônia Como Espelho
Em Belém, o palco é outro — o da floresta em pé, onde não há espaço para disfarces. Talvez a Europa, e o mundo, descubram olhando para a Amazônia que o futuro verde não cabe nas planilhas.
A verdadeira meta climática não está nas porcentagens, mas na coragem de mudar o modelo de desenvolvimento.
A COP30 em Belém escancara o abismo entre a retórica global e a prática real.
E o Brasil, perdido entre contradições e encenações, parece ter esquecido que a Amazônia não é cenário — é destino.
Por Almir Souza
Fonte Redação Fama
Foto AAS





