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Realidade e polêmica dos bebês “reborn”

Com a nova polêmica em torno dos bebês “reborn”, surgem dúvidas: seria essa nova moda apenas algo inocente, ou pode haver um perigo mais grave por trás? Foi há alguns meses. Eu, uma jornalista e nosso fotógrafo estávamos em um shopping quando vi uma menina, de não mais que seis anos, com um recém-nascido no colo.

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Imediatamente, fiquei preocupado. Por mais cuidadosa que fosse, uma criança dessa idade dificilmente conseguiria cuidar de um bebê tão pequeno. Comentei com meus colegas. Eles olharam, sorriram e disseram:
— Calma, é só um boneco.

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Todos temos acompanhado a comoção nacional — muitas vezes com certo exagero — em relação aos bonecos tão realistas que chegam a causar estranheza em quem os vê pela primeira vez.

Os bonecos “reborn” são, de fato, praticamente obras de arte.
A semelhança com bebês reais chega a ser inquietante.
Não se pode negar o talento de quem consegue produzir algo tão detalhado e convincente.

Na Fama Amazônica, tampouco consideramos errado que alguém, tendo condições financeiras, escolha comprar um boneco como esse. Podemos questionar a sabedoria de investir uma quantia significativa em um item inanimado, mas também é verdade que as pessoas investem em todos os tipos de hobbies, coleções e experiências pessoais — e isso faz parte da diversidade do comportamento humano.

O problema também não está, necessariamente, na pessoa que fantasia que seu boneco é, de fato, um filho — desde que tenha plena consciência de que isso é apenas uma fantasia. A capacidade de imaginar é uma das características mais fascinantes do ser humano.

Nós somos capazes de criar realidades alternativas, brincar com possibilidades, construir mundos — e até nos divertir com isso. Esse poder da mente é o que sustenta a arte, o cinema, a literatura e, em certa medida, também o fenômeno dos bebês “reborn”. Desde os antigos jogos de “faz de conta” até os sonhos com relacionamentos que ainda não evoluíram — ou sequer existem —, a imaginação sempre ocupou um papel central em nossa experiência humana.

Ao lermos um livro ou assistirmos a um filme envolvente, somos, de certa forma, transportados a um mundo que não é real, mas que nos proporciona sensações e emoções autênticas. No final, idealmente, voltamos ao presente, satisfeitos com essa breve “fuga”. A imaginação tem, sim, seu lugar — enquanto permanecer sendo apenas isso: imaginação.

O problema com os bebês “reborn”, assim como com outras formas de delírios emocionais, é duplo: de um lado, o negar da realidade; de outro, a exigência de que outros participem desse autoengano.

Na Fama Amazônica, compreendemos a profundidade da relação humana com a fantasia — mas também entendemos que há limites. Quando uma pessoa conhece a realidade e a nega, ela já não está mais apenas se divertindo. Trata-se, nesse ponto, de uma postura de rebeldia consciente.

Em textos como Romanos 1.20-32 e Efésios 4.17-18, encontramos uma reflexão importante: a de que o entendimento pode ser obscurecido. As pessoas podem se afastar da verdade a ponto de não mais reconhecê-la. E no trecho final de Romanos, lemos:

“Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.”

Essa é uma advertência não apenas teológica, mas existencial: quando a fantasia exige a negação consciente da realidade e ainda busca validação coletiva, deixa de ser uma expressão criativa e se transforma em um mecanismo de fuga perigoso — tanto individual quanto socialmente.

A questão dos bonecos “reborn” pode, à primeira vista, parecer inofensiva. E, de fato, em muitos casos, é. No entanto, o desapego à verdade objetiva não é algo sem consequências. Quando uma mentira — por mais bem-intencionada que pareça — se torna institucionalizada, estamos à beira de algo muito mais perigoso: a ruína moral e emocional de uma sociedade.

Há uma aplicação legítima e profunda nesse debate: a verdade sobre nossa própria vida é o único caminho que pode, de fato, nos libertar. Negá-la, mesmo em nome de um conforto emocional passageiro, pode nos afastar do que nos torna humanos — a consciência, a responsabilidade e a conexão com a realidade.

Na Revista Fama Amazônica, ainda não chegamos a uma conclusão definitiva sobre os limites éticos e emocionais envolvidos com os bebês “reborn”. Não queremos nos precipitar. Nosso compromisso é com o diálogo honesto e aberto, e, por isso, deixamos essa reflexão em suas mãos, leitores.

E vocês, o que acham? A fantasia tem limite?
Onde termina o afeto simbólico e começa o autoengano?

Queremos ouvir sua opinião.

por Almir Souza Redator Hacker
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Almir Souza

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